 Da privataria ao mensalão |
em 14/12/2011 00:30:00 (1455 leituras) | Há uma triste realidade que vai muito além das intrigas entre petistas e tucanos
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Erich Vallim Vicente
Desde o final da semana passada, as redes sociais estão em alvoroço. O lançamento do livro ‘A Privataria Tucana’, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., tornou-se mais um capítulo na briga constante de “gato-cachorro” entre petistas e tucanos na internet. Virou tradição: a cada denúncia sobre o governo federal, especialmente quando esta se dá através da capa da revista Veja, há uma enxurrada de “contradenúncias” sobre desmandos do PSDB, seja em outras instâncias de governo, como do Estado de São Paulo, ou mesmo de outras épocas, como o caso recente do livro, alçado à pauta da ordem do dia.
A ordem dos fatos, necessariamente, não é sempre a mesma, mas o efeito deles é sempre no mesmo caminho. Enquanto um lado ataca, o outro contra-ataca, embrulhando o Brasil num grande nó de casos e mais casos de corrupção, de cima a baixo, de Leste a Oeste, do Oiapoque ao Chuí. A priori, toda denúncia, quando fundada, deve ser verificada e, depois disso, seguir os trâmites normais do Sistema Jurídico brasileiro. Mas, todos sabem, não é bem assim.
Desde a abertura democrática e a experiência com o Impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, descobriu-se a força de uma denúncia, não importa qual seja, porque ela serve mais para abalar politicamente determinada figura do que, necessariamente, descobrir verdades. Com a máxima “onde há fumaça, há fogo”, derruba-se presidente, ministros, mancha-se carreiras públicas e, alcançado o objetivo, tudo volta a ser como era antes. A toada tem sido assim.
Há, porém, uma triste realidade, essa de Nação, e que vai muito além das intrigas entre petistas e tucanos. Toda essa euforia, essa sede de dizer “você roubou antes”, “ou você roubou mais”, pouco tem contribuído para mudar a cara do Brasil como um país de meliantes em todas suas esferas políticas. Joga-se a verdade do outro no ventilador para colocar na agenda pública o adversário como o problema, tentando incriminá-lo midiaticamente, a despeito da ação jurídica.
Neste ponto, há de se pontuar, o grande desserviço do veículo de comunicação que se submete a esse papel, de ora acobertar, ora divulgar, de acordo com as conveniências partidárias e projetos de poder. E aqui não se trata de nominar quem faz ou deixa de fazê-lo, mas é um exercício de autoavaliação que deve ser feito por cada um que, em maior ou menor medida, tem responsabilidade em transformar determinados temas em prioridade da agenda pública.
As denúncias de ‘A Privataria Tucana’, como qualquer outra, de qualquer outra sigla, devem ser apuradas, embora, no caso do livro de Amaury Ribeiro Jr., é uma pena terem sido feitas só agora, de fatos ocorridos há 15 anos. Resgatar a história é fundamental para construir um país ciente da necessidade de extirpar os seus males. Mas isso não significa que, descobrindo o crime dos outros, será então possível utilizá-los para justificar os seus próprios crimes. Um não elimina o outro. A conta da corrupção não se divide, ela só se multiplica.
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O livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., fartamente documentado, está à venda a partir desta sexta-feira em todo o País revelando fortunas tucanas em paraísos fiscais, após as privatizações do governo FHC, e a rede de espionagem montada pelo ex-governador de São Paulo José Serra contra seu adversário interno no PSDB, o também tucano Aécio Neves, que era governador de Minas Gerais. MonitoramentoO objetivo da espionagem, que não foi alcançado, seria o de flagrar em vídeo Aécio Neves consumindo bebidas alcoólicas ou até cocaína.Acusações gravesAmaury acusa Verônica e Alexandre Bourgeois, filha e genro de Serra, de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e recebimento de propina.Fios Ricardo Sergio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil, e Gregório Marin Preciado, primo de Serra, também são denunciados no livro.PolêmicaRepórter investigativo muito talentoso, Amaury Ribeiro foi envolvido no suposto esquema de arapongagem a serviço da campanha de Dilma.Intimidação O editor Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, sentiu-se intimidado ao ser chamado para "uma conversa" com o ex-governador José Serra, que tomou conhecimento do iminente lançamento do livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro. Emediato contou à coluna que ofereceu seu cartão de visitas ao emissário tucano, sugerindo que, se Serra quisesse falar com ele, que o procurasse na sede da editora.CautelaTemendo ordem judicial de apreensão do livro, a Geração fez uma operação silenciosa para distribuir 15 mil exemplares em todo o País.CompromissoAo receberem o livro A Privataria Tucana, as livrarias assumiram o compromisso de que não seria exposto nas vitrines antes desta sexta. Nada a declarar O ex-governador José Serra informou que, por enquanto, sua decisão é não comentar as acusações contidas no livro de Amaury Ribeiro Jr.Perderam a modéstiaPivô do escândalo que atinge o ministro Fernando Pimentel, o dono da HAP Engenheria, Roberto Senna, é irmão da mulher do ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. A advogada Vivienne Senna era da comissão de ética pública da prefeitura de BH quando abriram investigação. Oitavo passageiroMinistro amigo de Dilma, Fernando Pimentel já está sendo chamado, no serpentário do cafezinho do Senado, de "o Oitavo Passageiro". Referência aos sete ministros já caíram por denúncias de corrupção.Contra privilégiosO deputado Chico Leite (PT), campeão nas avaliações de desempenho no DF, tem lutado para que empresas de políticos com mandato sejam proibidas de assinar contratos com o governo, para evitar privilégios. Casos de famíliaParte do nervosismo do presidente do Senado José Sarney, que quase se atracou com o senador Demóstenes Torres (DEM-G0) na votação do Código Florestal, se deve ao estado de saúde de Roseana. Marconi O presidente do PSDB, deputado Sergio Guerra (PE), prefere Aécio Neves a José Serra, na sucessão de Dilma, mas avisa que o bem avaliado governador de Goiás, Marconi Perilo, também está no páreo.Liberdade O deputado André Vargas (PT-PR) afirmou "que os grandes jornais não compreendem o tipo de país que se está construindo". Resumindo: não mostram o país que o PT acha que tem. Feira modernaA Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) constatou alta contaminação de agrotóxicos, até proibidos, em frutas e hortaliças. Mas somos nós que comemos o pepino envenenado.Choro na fronteira O Paraguai se apavora com a estagnação do Brasil. O presidente do Banco Central de lá, diz o jornal ABC Color, teme queda nos 60% nas transações locais ou e comerciais. Drogas e armas não contam. Pensando bem... ..os "cumpanhêro" estariam sem problemas na Justiça, se, em vez de consultorias, dessem palestras à la Lula, fáceis e sem contestação.
Diante do silêncio absoluto da mídia canalha, se tornou obrigação cívica divulgar o livro A Privataria Tucana (Geração Editorial), do jornalista Amaury Ribeiro Jr. A reportagem é uma porrada. É o velho esquema de sempre: Rede Globo, Veja, Folha de S.Paulo e adjacências se calam quando acusações, por mais graves que sejam, como é o caso, atingem seus aliados. Para os amigos, as manchetes; para os inimigos, os editoriais. Ou o contrário, tanto faz. A blindagem às falcatruas cometidas pelo tucanato atravessa década. Há muito é caso de polícia. No mínimo, os donos dos grandes veículos de comunicação deveriam ser intimados a depor no Congressso Nacional, junto com os ladrões que protegem. A omissão é criminosa, fere todos os princípios da liberdade de imprensa que esses safados tanto defendem quando lhes convêm. Um fato precisa ficar claro, e ser repetido à exaustão: a venda de estatais durante o governo FHC foi o maior assalto aos cofres públicos da história deste país. O famigerado Mensalão é troco de pinga. Jamais duvidem disso. Foram bilhões de dólares desviados, lavados, propinados e roubados do povo brasileiro. Não faltam denúncias, documentos, provas, testemunhas. O que falta é vergonha na cara das elites que insistem em varrer esse lixo para debaixo de seus tapetes sujos. São cúmplices. Outro livro, histórico, também ignorado pelo silêncio ensurdecedor dos barões da imprensa, foi escrito pelo nosso maior jornalista econômico, Aloysio Biondi, em abril de 1999: “O Brasil Privatizado”. Segundo ele, a conta do prejuízo é assustadora: R$ 87,6 bilhões não entraram ou saíram dos cofres públicos durante o processo de privatização. Não ficamos com um único centavo. O livro de Biondi vendeu 130 mil exemplares. Você não leu errado: foram 130 mil exemplares vendidos. Sem que uma única linha ou comentário saísse nos grandes veículos de comunicação. Fazem parte da quadrilha. O povo não é bobo. Em apenas quatro dias, o fenômeno se repete e a obra de Amaury Ribeiro esgotou seus 15 mil exemplares e já parte para uma segunda edição. Um belo tapa na cara da tucanagem corrupta! Denúncia em CPI do PT é refresco. Vamos ver se agora a casa cai. Podre, já está faz tempo. |